CEEE, SULGÁS E CRM: DEIXEM OS GAÚCHOS DECIDIREM – por Rodrigo Lorenzoni

Em 2002, o então Governador Olívio Dutra (PT) sancionou uma emenda à Constituição estadual que passou a exigir um plebiscito para venda, extinção, fusão, incorporação ou cisão de empresas públicas do Rio Grande do Sul fazendo jus de um instrumento que retira do poder legislativo parte importante de suas funções. Porém, o pretexto era “nobre”: delegar à sociedade por voto direto e não de seus representantes legítimos o direito de opinar sobre estes assuntos.

Passados quinze anos, os olhares da maioria dos gaúchos estão voltados para o que pode vir a revelar o grande golpe na democracia que foi aquela medida. Isso se materializa a medidas que líderes da atual oposição ao governo do estado (Leia-se PT, PC do B, PSOL e cia) iniciam suas atividades diárias numa verdadeira cruzada contra o plebiscito. Ou seja , a lei que outrora criaram sobre o pretexto de dar ao povo o poder de escolha, hoje revela que o real propósito era somente criar mais uma empecilho para o exercício da própria democracia, pois à medida que retiraram o poder da Assembleia de legislar, e impedem com manobras a realização do plebiscito, há a utilização clara deste instrumento para não permitir a discussão e o desenvolvimento do estado.

A esquerda que diz acreditar no plebiscito como ferramenta popular e democrática de decisão é a mesma que não está aberta a dialogar com a sociedade rio-grandense. Que indignação seletiva é essa que agora quer impedir as pessoas de decidirem? É preciso esclarecer a esse grupo que recusa o diálogo que o processo democrático livre é a seiva que revitaliza o Estado . Este ranço ideológico anti-desenvolvimentista deste campo político não pode submeter o futuro dos gaúchos aos ventos do retrocesso, impedindo que nosso estado se modernize e volte a investir naquilo que deve realmente ser sua preocupação básica: saúde, segurança e educação.

Estatais como CEEE, Sulgás e CRM, sob o guarda-chuvas do Estado, não estão nem de perto preparadas para alcançar altos índices de resultados. São incapazes de investir em volume suficiente para expandir suas atividades, na forma que o momento exige, além de inchar o Estado e sobrecarregar qualquer possibilidade de reestruturação. São entraves que precisam, de toda forma, de uma reestruturação. Os gaúchos já tiveram essa confirmação com a privatização das companhias telefônicas, por exemplo. Nunca é demais lembrar que a então obsoleta CRT levava meses para entregar uma linha de telefone e hoje o acesso a esse serviço é mais barato e imediato.

Desde lá, este campo político identificado com as visões socialistas e comunistas só faz puxar o freio do progresso, nem que para isso seja à base da incoerência, para não dizer oportunismo. Será que as pessoas que estão agora nos corredores de hospitais, alunos sem educação de qualidade ou os cidadãos vítimas da violência cotidiana merecem tamanha desfaçatez? Será que essas mesmas pessoas precisam ainda ter que lidar com o fato de que elas próprias e seus representantes legítimos são alijados do processo decisório do que é melhor para nossa sociedade: essas companhias gigantes e ineficientes ou ter saúde e educação.

Precisamos de mais esse cinismo?

(Rodrigo Lorenzoni é médico veterinário e presidente do CRMV-RS)

2 comentários em “CEEE, SULGÁS E CRM: DEIXEM OS GAÚCHOS DECIDIREM – por Rodrigo Lorenzoni

  • A sociedade bombachuda, alienada por uma mídia futebolística, permitiu que vigaristas colocassem na Constituição gaúcha a necessidade de plebiscito para venda de estatais.

    Mas essa mesma sociedade imbecilizada não exigiu plebiscito para CRIAÇÃO de estatais, comprovando que o gaúcho é mesmo um povo “diferenciado” e “politizado”.

    Agradeçamos, portanto, à “relevante” mídia gaudéria, que só fala em política e economia quando as pessoas estão trabalhando, pois nas horas vagas tem que sofrer lavagem cerebral com os programas-chuteira em que se discute até a temperatura média do peido de um jogador de futebol da 3ª divisão do Acre.

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  • A Copel, estatal paranaense, é a melhor distribuidora de energia do país (fonte Aneel), a CEEE mesmo com todos suas dificuldades é a 4ª melhor distribuidora do país segundo os indicadores de desempenho da agência. Os consumidores da CEEE pagam a menor tarifa dentre as distribuidoras do estado. A CPFL, controladora da RGE SUL, foi adquirida recentemente por uma empresa chinesa, por coincidência, uma estatal.

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