DIREITOS HUMANOS PARA QUEM? – por Rodrigo Lorenzoni

Na última semana o Rio Grande do Sul chorou a morte de mais um policial civil que foi alvejado por bandidos. Morreu nos braços de sua esposa, também Policial Civil. Até poderia ser cena de filme tamanha a dramaticidade da cena. Mas, infelizmente é a vida real. Vida de quem vive no Rio Grande do Sul, um estado entregue ao crime e com um governo que não prioriza de forma verdadeira a recuperação das forças policiais e das políticas de segurança pública.

O descaso do governo com a solução do problema é tão grande, que tentam incutir na cabeça da sociedade que existem avanços nessa área através de comerciais pagos com nosso dinheiro, cometendo, inclusive, gafes ao gravar estas propagandas a poucos metros de locais de crimes. Isso sem mencionarmos matéria recente em que se nota que da janela da Secretaria de Segurança Pública é possível ver criminosos traficando drogas. Mas não é exatamente sobre isto que quero refletir neste espaço.

O que me intriga é que não ouvimos nenhuma manifestação daquelas lideranças políticas que se intitulam defensoras e detentoras das causas dos direitos humanos. Não vi entidades e ONGs ligadas a estes “líderes” se manifestarem da forma como fazem quando um bandido é morto. Não vi se manifestarem como sempre, quando fazem críticas às polícias.

O velho discurso que torna o bandido “vítima da sociedade” e busca justificativas mirabolantes para defender criminosos não é realizado para entender a realidade e ajudar aqueles que lutam diariamente para manter a ordem em meio ao caos que vivemos hoje.

Será que lhes falta sensibilidade para se manifestar e amparar a família do policial? Como ficam seus pais, irmãos, família? Como fica sua esposa?  Como fica a esposa, repito, que não apenas perdeu o marido como o viu partir ferido em seu colo?  Como ficam os gaúchos, largados à própria sorte, com lideranças políticas que optam, deliberadamente, por apoiar criminosos?

Na verdade não é sensibilidade o que falta a esta gente. É vergonha na cara, mesmo. Fatos como este revelam a face oculta destes ditos “defensores”. Revelam que sua ” luta” é hipócrita e que precisam de bandidos vivos, matando ou morrendo para manter seus discursos ideológicos e angariar votos a cada eleição. Neste ponto, o que me assombra é que discursos desse tipo, em defesa do crime ou contra a atuação da polícia, ainda fazem eco em nossa sociedade, e estes políticos seguem sendo eleitos.

O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade disse certa vez que a Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU, 1948), se vista da Lua, não merece nenhum reparo. Com isso, o poeta queria dizer que está “tudo azul” com as declarações de direitos do homem quando as observamos a partir da Lua, ou seja, a partir de um ponto de vista a-histórico.  Mas basta olharmos de perto, e não precisa ser muito de perto, para percebermos que algo está muito distorcido nessa história toda. Há algo de muito errado nessa escala de valores.

Sou um defensor dos direitos humanos, mas como dizem por aí: Direitos humanos para humanos direitos. Não é possível que eu, você e nossas famílias, sejamos eternamente reféns de conceitos que inverteram os valores da nossa sociedade, fazendo com que tenhamos protestos pela morte de bandidos e um silêncio ensurdecedor quando um homem da lei cai em combate.

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