REPÚDIO À INTIMIDAÇÃO DE REPÓRTER POR PRESIDENTE DE SINDICATO DOS JORNALISTAS

A Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (FENAERT) divulgou uma nota em que repudia a atitude do presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas Jr, que impediu um jornalista de fazer uma reportagem no acampamento onde estão simpatizantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba. O caso aconteceu no sábado (27.04), com o repórter Marc Souza, da TV Record Paraná. 

Apesar do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul afirmar, em nota, que considera que é possível ver “perfeitamente a intenção do sindicalista de proteger o profissional, exatamente como deve agir quem representa uma categoria”, o episódio foi criticado duramente nas redes sociais e dividiu opiniões. Para a FENAERT, a atitude de Milton Simas é claramente uma ameaça e contraria os preceitos do jornalismo e da ética de conduta profissional.  

“O cerceamento da liberdade de expressão contra os jornalistas é ato inadmissível e acompanhamos democracias colocadas em risco em diversos países do mundo por isso. O que surpreende, desta vez, é que tais atos sejam praticados justamente por entidades representativas e colegas de profissão”, diz parte do comunicado. 

No episódio, com a justificativa de “proteger” e “preservar a integridade” do jornalista, Simas aconselha o repórter a ir “pro lado de onde tá o carro da polícia” e avisa que não era recomendável gravar no local “pra quem fala mal de movimento social”. Em seguida, ele ainda afirma que “a imprensa tá toda junta no golpe” se referindo ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a prisão de Lula. 

Em sua nota, a FENAERT diz que é possível observar no comportamento de Simas “um conflito de interesses” e reconhece que “não é aceitável que se confunda militância com o cargo ocupado em uma entidade de classe”. Além disso, a entidade também alegou que não é ético ferir a liberdade de imprensa para satisfazer um desejo pessoal referente ao teor da reportagem que seria realizada.  

“Atacar o profissional de imprensa, no seu pleno exercício da profissão, é ferir a Constituição, a democracia e o direito da sociedade em conhecer os fatos e acontecimentos de seu ambiente”, finaliza. 

(Equipe do site)

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