MEMORIAL PARA UM ASSASSINO COMUNISTA? – por Fernanda Barth

Luiz Carlos Prestes foi um líder comunista e um assassino e mesmo assim será homenageado em Porto Alegre. A inauguração do memorial Luiz Carlos Prestes, todo preto e vermelho, com uma gigantesca foice e martelo em sua cobertura, está marcada para 28 de outubro, pouco antes do centenário da Revolução Russa. Realmente inacreditável ver glorificada a ideologia sangrenta que matou mais de 100 milhões de pessoas no mundo todo e foi responsável pelo massacre de Holodomor, na Ucrânia. Enquanto no resto do planeta os símbolos comunistas são proibidos pelos crimes que foram praticados em seus regimes, em Porto Alegre continuamos enaltecendo-os. Retrocesso total! Ouso chamar de Memorial da Vergonha. Este espaço deveria é ser destinado a memória de todas as vítimas dos regimes totalitários no mundo, mas não a um falso herói, que friamente mandou executar a menina Elza e causou terror com sua Coluna Prestes. Mas como isto aconteceu?

Em 1990, ano da morte de Luiz Carlos Prestes, o então vereador Vieira da Cunha (PDT) teve a ideia de construir um Memorial em homenagem a Luiz Carlos Prestes. A infelicidade foi aprovada por maioria na Câmara de Vereadores e homologada pelo então prefeito Olívio Dutra (PT), que indicou terreno público, em área nobre, próximo às margens do Rio Guaíba para a futura construção. Como as condições financeiras não permitiram que o projeto saísse do papel, a ideia ficou anos abandonada. Até que em 2008, a construção do memorial comunista foi viabilizada graças a necessidade que a Federação Gaúcha de Futebol tinha de construir uma sede própria e que, como contrapartida a doação de uma parte do terreno pela prefeitura, bancou a obra. O novo projeto foi novamente aprovado por maioria na Câmara de Vereadores.

Mas esta é só uma parte de um projeto maior que prevê de um lado a obra do Memorial Prestes com seu ornamento comunista e do outro o Memorial Caminhos da Soberania. Se o primeiro Memorial muitos só ficaram sabendo há poucos dias o que seria, o segundo quase ninguém ouviu falar. Pois no mesmo ano fatídico de 2008, durante o governo José Fogaça (PMDB), saiu a Lei nº 10.390 de 22 de fevereiro, que autorizou o Executivo Municipal a conceder uso de área situada na Subunidade 01 da Unidade de Estruturação Urbana (UEU) 1044 da Macrozona (MZ) 01 à Fundação Caminhos da Soberania, para a implantação do Memorial Caminho da Soberania, para abrigar acervos dos líderes trabalhistas Leonel Brizola, João Goulart e Getúlio Vargas.

A concessão de uso terá vigência de 60 anos, prorrogável por igual período. A área concedida tem 23.255,80m², equivale a vários estados de futebol e fica no quarteirão formado pela Avenida Edvaldo Pereira Paiva e o Guaíba, tendo como limite a Nordeste a Avenida Edvaldo Pereira Paiva numa extensão de 400 metros. Ou seja, é na beira do rio, ao lado do Anfiteatro Pôr do Sol, das áreas mais nobres da capital gaúcha. O presidente do conselho diretor da Fundação Caminhos da Soberania é Vieira da Cunha (PDT), ex-deputado federal, o mesmo que teve a ideia do Memorial Luiz Carlos Prestes.

Isto tudo foi feito longe dos olhos da população, entre gabinetes de poder, entre vereadores e prefeitura, que acabaram por, de certa forma, privatizar partes da Orla de Porto Alegre para projetos de partidos políticos. Cada um com seu Memorial, fazendo propaganda da sua ideologia. De um lado os comunistas e de outro os trabalhistas. Porto Alegre merecia destino diferente.

Cabe agora refletirmos como os espaços públicos da cidade são ocupados e com qual destinação. A sociedade não foi ouvida em relação a construção deste memorial da vergonha e nem em relação a concessão do outro terreno ao PDT. Caberia aos vereadores a sensibilidade de destinarem este prédio e o terreno a fins mais nobres, como um Memorial em Homenagem a TODAS as Vítimas de Regimes Totalitários.

Queremos que os vereadores se manifestem e façam a redestinação do prédio, transformando-o em um memorial mais “plural e democrático”.

Teremos uma manifestação dia 22/10, pela pluralidade e democracia, contra os regimes totalitários e em repúdio ao Memorial Luiz Carlos Prestes. (https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10213535523483659&id=1269175503).

Temos uma petição online: (http://www.citizengo.org/pt-pt/70694-mudanca-nome-do-memorial-luis-carlos-prestes-para-memorial-da-vitimas-regimes-totalitarios?tc=wp&tcid=41672594)

E não desistiremos enquanto esta vergonha para os gaúchos e brasileiros não for mudada.

(Fernanda Barth é jornalista e cientista política)

Um comentário em “MEMORIAL PARA UM ASSASSINO COMUNISTA? – por Fernanda Barth

  • Esse artigo que é uma vergonha! Tolices orientadas a direita para enganar pessoad que não tiveram acesso a uma educação de qualidade e a ima minoria que quer manter um status quo capialista inacessível a maioria !!!!

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