Os donos do Brasil

Diego Casagrande

Esqueçam aquela frase que você já ouviu em tom de brincadeira: “O Brasil não deu certo, devolvam para os índios”. Pois não é que a Odebrecht subornou até os índios? Um cacique de codinome “tribo” recebia R$ 5 mil de mesada para não atrapalhar os negócios da empresa na floresta. Por certo ia na feira e comprava peixe fresco para assar na taquara em frente à oca.

As colaborações premiadas são das coisas mais maravilhosas que já aconteceram. Estão expondo a podridão que tomou conta do país. Quase dá para sentir o cheiro. Antes destes acordos, só a carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500, foi tão reveladora. O texto, nosso primeiro registro histórico, relata em detalhes a natureza e os habitantes aqui encontrados. “Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas”, escreveu Caminha, que nos deu uma ideia do que viríamos a ser, quando pediu ao rei Dom Manuel de Portugal que soltasse seu genro, um assaltante condenado ao degredo na ilha de São Tomé. Começava naquele momento nossa sina de tenebrosas transações, uma mistura indissociável entre interesses públicos e privados. Uma chaga que nos aflige até hoje.

De todas as colaborações, a mais estarrecedora, entristecedora e debochada é a do patriarca da Odebrecht, Emílio, pai de Marcelo. A negociação com o Ministério Público Federal para que ele contasse o que sabia durou 9 meses, mas agora que decidiu falar, seus reflexos na vida brasileira durarão décadas. O bonachão está visivelmente mais magro. Para alguém como ele, que se acostumou a mandar, jamais pedir, ver preso o filho que colocou no mundo do crime deve doer alguma coisa. É difícil mesmo para o mais forte dos egos e das contas bancárias. No depoimento gravado, entre uma risada e outra, ele explicou como corrompe governos há décadas e como banca Lula desde os tempos de sindicato. “Gosto, confio nele. Valorizo ele…” E revelou como a Odebrecht ajudou a escrever a “Carta ao povo brasileiro” em 2002, acalmando os mercados.

Lula, Odebrecht e seus parceiros espalhados por tudo sequestraram e torturaram o Brasil. Mas como disse o promotor Sérgio Bruno Fernandes, “vamos deixar de historinha”. Agora já sabemos o papel de cada um. A casa caiu.

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