UMA GREVE FAKE – por Diego Casagrande

 

Um amigo meu disse que greve é como sexo: se tem que ser na base da força, na marra, é porque não deve acontecer. Pois é. Foi exatamente o que presenciamos na última sexta-feira. Houve fechamento de garagens impedindo o trânsito dos ônibus, queima de pneus em ruas, avenidas e estradas trancando o livre trânsito, coletivos pichados e incendiados, cidadãos agredidos em aeroportos por jagunços com coletes da CUT – como no Santos Dumont – e muitas ameaças e agressões contra quem queria trabalhar. Em Porto Alegre destruíram completamente a fachada de vidro de uma concessionária na avenida João Pessoa. Inúmeros estabelecimentos também foram atacados. Espalharam miguelitos nos corredores de ônibus. Em uma marcha pela manhã tinha até bandeira daquele pequeno país onde um tirano louco ameaça o mundo com suas armas nucleares. Sabe a Coreia do Norte? Que fofo!

Em entrevista à rádio Band News FM o presidente da CUT-RS, Claudir Néspolo, declarou que “greve existe para impor prejuízos ao capital”. Considerando que 95% das empresas brasileiras são micro e pequenas e que mais de 80% dos empregos com carteira assinada são gerados por elas, fica claro quem acaba sendo prejudicado. Sem falar que 40% dos trabalhadores brasileiros são informais, profissionais liberais ou autônomos. Dependem exclusivamente de produtividade. Um movimento que impede à força a faxineira de ganhar seu sustento é imoral.

Aquilo que os sindicalistas da CUT, do PT, da Força Sindical, dos partidos de esquerda e setores atrasados do funcionalismo público decidiram chamar de “greve” contra as reformas trabalhista e previdenciária, é qualquer coisa menos o que pretendeu ser. No máximo uma greve fake (falsa, em inglês).

Coerção física e moral não é democracia, é fascismo. Quem agride trabalhadores que não desejam aderir age como os camisas negras de Mussolini. Aliás, foi naquela época que o ditador Getúlio Vargas copiou da Itália fascista a regulação do trabalho e o modelo sindical que aumentava o poder do Estado e diminuía a liberdade individual. Não existem coincidências.

A agressividade do sindicalismo brasileiro se explica como síndrome de abstinência antecipada. A reforma trabalhista prevê muitos avanços, incluindo o fim do Imposto Sindical obrigatório. A fonte vai secar.

(Diego Casagrande é jornalista, vencedor do Prêmio Liberdade de Imprensa do 29º Fórum da Liberdade; artigo publicado no jornal METRO Porto Alegre)

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