Embora todo mundo minta de vez em quando, temos de distinguir a mentira inocente da mentira psicopática. E embora todo mundo faça brincadeiras e zoações de vez em quando, até nas câmaras de deputados, audiências supremas e nas redes, temos que distinguir quem faz isso de propósito, abertamente, por humor, de quem faz isso de maneira sorrateira e maldosamente, disfarçada de indignação, para passar mensagem subliminar da atual cultura da vitimização, e/ ou para prejudicar deliberadamente alguém.

O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho, assim como o humorista utiliza o humor e a zoeira como ferramentas de trabalho, sendo que às vezes diz inverdades ou grosserias, mas sempre fica claro que elas não têm a intenção de ofender, porque são humorísticas.

O jornalista utiliza a informação como ferramenta de trabalho, mas às vezes tem fontes não confiáveis que o levam a informações falsas. Mas o bom jornalismo sempre corrige seu texto quando percebe que errou. O psicopata, normalmente,  está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil perceber quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada. Não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente.

E mente, muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo.

Normalmente diz o que convém e o que se espera dele para aquela circunstância. Pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se de arrependido, ofendido, magoado. Pode inclusive dissimular ter sido agredido por uma clara brincadeira de mau gosto, mas faz daquilo um trampolim para ganhar holofotes e passar mensagens vantajosas para ele.

É comum que esse mentiroso contumaz priorize algumas fantasias sobre circunstâncias reais. Isso porque sua personalidade é narcisística e quer ser admirado, ser o mais rico ou o mais pobre, o melhor do mundo, ou o mais sofrido, o mais justiceiro ou o mais injustiçado.

Assim, tenta adaptar a realidade à sua imaginação, ao seu personagem, de acordo com a circunstância e com sua personalidade narcisística.

Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, dando a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro. Ofende agressivamente a quem o contraria, mas, ao ser rebatido, sente-se mortalmente ofendido e imediatamente procura o “irmão mais velho” na (in)justiça para se defender do que não aconteceu. Faz um verdadeiro carnaval e tenta inverter a posição de vilão para vítima frente à opinião pública.

Faz a apologia da cultura da vitimização frente à micro-agressões. Além disso, tem grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros mas, havendo interesse próprio, pode dissimular esses sentimentos socialmente desejáveis. Na realidade, o psicopata é uma pessoa extremamente fria do ponto de vista emocional.

Falta empatia.

Empatia é a capacidade emocional de nos colocar no lugar do outro e pensarmos como ele estaria se sentindo frente ao nosso comportamento. O psicopata não consegue pensar além do próprio umbigo. Além disso, é portador de grande insensibilidade moral, faltando-lhe a noção de ética.

O psicopata não tem freios eficientes a sua impulsividade, o que o impulsiona a cometer crimes, forjar situações, vitimizações, sentenças, condenações e material jornalístico, dependendo de que “ lado do balcão “ se encontre.

Essa impulsividade reflete também um baixo limiar de tolerância às frustrações. Dificilmente, ou nunca, aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção. Pode dissimular, durante algum tempo, seu caráter anti-social, entretanto, na primeira oportunidade volta à tona com as falcatruas de praxe, o que o torna incorrigível.

Quando dotado de poder, esteja ele travestido de político, jornalista ou mesmo vestindo uma toga, o psicopata, quando contrariado, pode ser extremamente nocivo e vil e pode prejudicar uma nação inteira.

Há uma controvérsia sobre a questão de um psicopata travestido de alguma autoridade ter nascido assim, ter se transformado em um, ou ser uma mistura dos dois. A ideia de que é uma combinação de genes, biologia e ambiente que produz a síndrome tem um grande alcance. “Esta é uma condição para a vida toda. É um distúrbio de personalidade; dessa forma, características são apresentadas constantemente por todos os aspectos da vida”, exemplifica o psicólogo John Clarke, autor do livro “Trabalhando com Monstros”.

Pessoas assim, segundo o autor, não são loucas, são essencialmente más.

“Estão cientes dos efeitos que seus comportamentos têm em outros ao redor, mas simplesmente não se importam. Pior: muitos psicopatas gostam do sofrimento alheio”, comenta.

Não há cura ou reabilitação.

“Poucos estudos examinaram psicopatas ‘corporativos’, porém os de criminosos psicopatas violentos sugerem que programas de reabilitação podem tornar o problema maior. Novas habilidades sociais são desenvolvidas e usadas para manipular as pessoas de forma mais eficaz”, diz o autor John Clarke.

Segundo pesquisas americanas, 3% da população mundial é de psicopatas. E 50% dos problemas do mundo são causados por psicopatas. No Brasil, esses números devem ser ainda maiores, mas não temos estatísticas.

Sentiu o estrago??

Por isso, é extremamente importante a participação e a indignação popular nas ações e decisões que afetam o país.

Não podemos permitir que nosso Brasil seja regido ou julgado novamente por psicopatas ou que sejamos podados e punidos quando exercemos nosso direito à liberdade de expressão.

Não podemos permitir que essa cultura da vitimização por qualquer suposta micro-agressão movimente e onere a máquina pública e a justiça, os cofres públicos, com ações totalmente inúteis. Temos muitas questões importantes para decidir para nos transformarmos em um país melhor, sem corrupção, com mais segurança e educação.

Existem muitos psicopatas no Brasil, mas a maioria de nós não é.

Estamos em maior número e, unidos, somos muito mais fortes.

(Carla Rojas Braga é psicóloga e psicoterapeuta)

Este post tem 2 comentários

  1. Parabéns, Carla: falou tudo e mais um pouco.

  2. É a descrição perfeita da Maria do Rosário, criatura deplorável que envergonha o povo gaúcho.

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