Nos anos 40, 50, existia, com apoio do cinema, a glamourização do cigarro. As grandes indústrias conseguiram até fazer médicos atuarem como garotos-propaganda do tabaco.

A comunidade científica ainda não conhecia todos os malefícios do cigarro.

Atualmente, está acontecendo exatamente a mesma coisa em relação à maconha.

Grandes grupos industriais, além da grande indústria do narcotráfico, com interesses comerciais, estão conseguindo, com muito lobby, promover a glamourização da maconha, como se essa droga terrível fosse, na verdade, uma erva causadora de bem-estar.

A indústria da maconha é um big business. Gigantesco. Envolve grandes indústrias, grandes grupos políticos e grandes máfias de tráfico.

Ao contrário do que a propaganda diz, no entanto, cientistas do mundo inteiro atestam sobre malefícios da maconha fumada. Só para dar um exemplo, pesquisa feita pelas universidades de Duke, Israel, Suécia e Nova Zelândia, com 35 mil usuários por mais de 30 anos, desde que tinham 13 anos, concluiu que: pela exposição com a fumaça tóxica, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como bronquite e perda da capacidade; 4x mais alcatrão e 5x mais dióxido de carbono na fumaça de maconha torna os usuários mais sujeitos a desenvolver câncer de pulmão. Mais do que os usuários de tabaco; Que o usuário de maconha também desenvolve mais probabilidade de ter  câncer de testículo; Que o uso de maconha leva ao desenvolvimento de doenças mentais graves, especialmente a esquizofrenia.

As pesquisas concluíram que usuários têm 4x mais chance de desenvolver esquizofrenia.

O consumo de maconha causa falta de motivação para desempenhar as tarefas mais simples do cotidiano: mais uma doença, chamada Síndrome Amotivacional.

O uso de maconha pode lesar um cérebro jovem, especialmente o córtex pré-frontal, responsável pelo juízo crítico, e hipocampo, responsável pela memória e aprendizado, deixando-o 30% menor, com diminuição do QI em até 8 pontos.

Além desta, há poucos dias foi publicada pelo Journal of American Medical Association outra pesquisa relatando que após mais de 23 mil pessoas pesquisadas, acompanhadas do início da adolescência até o início da idade adulta, os adolescentes usuários de maconha, em comparação com adolescentes não usuários, têm risco 37% maior de desenvolver depressão na idade adulta. Há também risco 50% maior de ideação suicida na idade adulta e risco de tentativa de suicídio triplicado na vida adulta.

Os autores concluíram que a alta prevalência de adolescentes consumindo cannabis gera um grande número de adultos jovens que podem desenvolver depressão e comportamento suicida atribuíveis à planta.

Isso é um grave problema de saúde pública por vários motivos. O país precisa sustentar seus doentes a vida toda. Medicação e internações para esquizofrênicos são muito caros. 

Além disso, no Brasil, a maioria dos crimes é cometida por usuários ou traficantes.

A legalização não diminui o tráfico, porque o consumo de maconha abre as portas para o consumo de outras drogas.

Nas cidades do mundo onde foi legalizado, o consumo e a criminalidade aumentaram, inclusive pelas disputas entre traficantes. Vejam o exemplo do Uruguai e da Holanda. 

Além disso, o consumo de drogas sintéticas aumentou enormemente no mundo todo e aqui também. Provavelmente porque, pelo consumo de maconha, abriram-se as portas .

Antes que os defensores pulem da cadeira, já esclareço que o que está começando a ser testado no mundo são medicamentos de canabidiol, desenvolvidos pela grande indústria farmacêutica. Não é a maconha fumada que é receitada .

Fumar faz mal e todo mundo já sabe disso. Tanto faz se for cigarro de tabaco, maconha ou grama. 

Faz muito mal. 

Uma criança com epilepsia não pode fumar maconha . Não vai melhorar fumando. 

Um paciente com câncer não pode fumar. Não vai melhorar fumando. 

Por acaso é permitido fumar em hospitais? Só tabaco? Maconha pode? 

No mundo todo é proibido fumar em lugares fechados. Em algumas cidades, como Santa Monica, na Califórnia, por exemplo, é proibido fumar nas calçadas e na praia também. 

Legalizar o porte de maconha pode oficializar o país como um narcoestado, gerar uma nação de doentes e aumentar ainda mais o número já enorme de homicídios por ano. 

Séculos atrás as pessoas fumavam ópio, droga derivada de outra planta, a papoula. Depois, ao serem constatados os malefícios, foi banido e hoje os hospitais usam um medicamento derivado, que é a morfina. Ninguém fuma ópio nos hospitais.

O Brasil não precisa de mais consumidores de drogas. Precisa de gente com o cérebro íntegro para pensar em como  transformar o país num lugar melhor para vivermos, com menos corrupção, menos violência, mais educação e mais saúde.

(Carla Rojas Braga é psicóloga)

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