Um amigo me perguntou porque defino meus textos como anacrônicos. Para responder, dou um exemplo usando o tema nazismo e sua natureza ideológica – se de esquerda ou de direita. Há uns meses, ali por abril, falei com o editor-chefe deste site e disse que, após dois meses de estudos, obtive dados irrefutáveis de que o nazismo foi um regime de esquerda. Publicamos, então, meu artigo “Nazismo: o filho que a esquerda não assume”. Viralizou. Foi longe…

Coincidência – ou não – uma ou duas semanas após surgiu a polêmica envolvendo o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que afirmou que o nazismo foi um regime de esquerda. Os jornais repercutiram, evidentemente. Até em Israel foi assunto, dada a visita do presidente ao país naquele momento.

A celeuma:

E como os jornalistas brasileiros investigaram a questão?

O normal é o jornalista ir até as fontes primárias, que são os professores de história. No Rio grande do Sul, por exemplo, geralmente usa-se como fonte  historiadores da UFRGS (que são de esquerda); recorre-se, também,  a  jornalistas e pesquisadores, como o Sr. Peninha, que é claramente de esquerda. Enfim, se tratando do caso envolvendo a declaração do chanceler, a imprensa em geral ouviu toda e qualquer fonte que tinha algum conhecimento do tema, contudo ficou evidente que não houve busca ou abertura de espaço para qualquer fonte fora do padrão, ou seja, que concordasse com o chanceler.

O que eu fiz?

Busquei a real fonte primária: documentos da época, como a cartilha de Hitler (algum jornalista que repercutiu a afirmação do Araújo a leu? Acho difícil), li dezenas de livros sobre a origem dos termos esquerda e direita (que vão além da forma convencional como conhecemos hoje – vide posições frente ao parlamento e Assembleia da Revolução Francesa), passei por Adam Smith (A Riqueza das Nações), Edmund Burke (grande crítico à Revolução Francesa), Tocqueville, li o Manifesto Comunista (Marx e Engels), li boa parte dos volumes O Capital (os jornalistas que escreveram sobre a polêmica leram?), estudei toda a Revolução dos Bolcheviques, de cabo a rabo, desde o início de Lenin, de antes da reunião de 1903 – o 2º Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo – até a queda do Czar; estudei Stalin, Trotski, pesquisei documentos, via O Livro Negro do Comunismo, que evidenciaram os métodos socialistas/comunistas, que vão desde o projeto de perpetuação de poder até os gulags da URSS (maquetes dos campos de extermínio nazistas); assisti a documentários, falei com pessoas, inclusive com um descendente de sobreviventes do HOLOMODOR, o cruel massacre dos ucraniamos promovido  pela URSS de Stalin nos anos 1930 e, somente após TODA essa INVESTIGAÇÃO, relacionando as teorias os fatos, escrevi o artigo. Embora já chegara bem antes à conclusão (pelas simples evidências) de que tanto o ser ESQUERDA como o ser DIREITA devem ser considerados, ou classificados, por seus PRODUTOS!

Nesse sentido, me ficou evidente, assim como para nosso chanceler, que o nazismo foi sim um regime de esquerda, pois é um PRODUTO oriundo da esquerda socialista. E isso está explicado no artigo citado no primeiro parágrafo.

No centro de memória do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, dizem que nazismo foi de direita – o que é assustador. Talvez isso explique o porquê de os judeus terem sido presas fáceis do Fürher nazista. Não saber identificar o verdadeiro inimigo, em se tratando de geopolítica, torna qualquer país vulnerável e propenso à bancarrota; em se tratando de guerra, o expõe  ao genocídio, especialmente quando se lida com tiranos totalitários socialistas.

Churchill disse que nazismo e fascismo são filhos do comunismo  – o principal produto da esquerda (e sobre isso já tratamos no meu último artigo publicado neste site). A quem deve-se dar crédito, a Winston Churchill – o homem que, estando no olho do furacão e brigando olho no olho com Hitler, livrou o mundo do nazismo – ou a professores de história, como alguns da UFRGS, que usam camisa do Che Guevara e vivem para defender as aberrações socialistas tentando, com unhas e dentes, negar a natureza ideológica nazista?

Fim da celeuma e de volta à pergunta do amigo:

Escrever de forma anacrônica é mais ou menos como viajar “de costas para o motor”, como disse certa vez  o grande escritor e crítico literário C.S. Lewis ao ser perguntado sobre o que esperava do futuro. No caso do nazismo, principalmente, é fundamental realizar uma pesquisa empírico-histórica via documentos e livros. É preciso imergir no tempo, portanto, e por isso uso o termo “empírico”. Pode-se, e deve-se!,  buscar fontes atuais, como pensadores, escritores, historiadores e pesquisadores. Mas o jornalista não pode se eximir da sua própria pesquisa e de exercer seu raciocínio, do contrário ele se torna um mero replicador de vozes.

Nesses dias, estudo a obra de C.S. Lewis, que defendia: LEIAM OS CLÁSSICOS! Paralelamente, claro, o escritor inglês dizia aos seus leitores para que também lessem autores contemporâneos, até porque ele era um desses autores. Esse conselho se refere à literatura, claro, mas também vale para o jornalismo.

E nesses dias sombrios em que impera uma narrativa ideológica repleta de mentiras, algumas vezes, como disse Lewis (em outro contexto), é preciso viajar de costas para o motor para que possamos descobrir ou enxergar a verdade. É necessário fugir da bolha criada pelo conto da esquerda, que até aqui se apropriou da narrativa histórica e a disseminou.

Por conta disso, opto por caminhar na contramão desse engodo e classifico minha crônica como anacrônica.

(Ianker Zimmer é jornalista)

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