O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) é gay, negro e parlamentar. No final de dezembro foi vítima de um atentado à bala durante manifestação de servidores públicos em frente à Câmara de Vereadores. Um tiro acertou em cheio o vidro da janela do gabinete dele, que não foi atingido por pouco. O fato recebeu destaque basicamente nas redes sociais, com um ou outro veículo abordando o caso. E a investigação caiu no esquecimento. Será que é porque ele é líder do MBL (Movimento Brasil Livre)? Por ser um ativista “de direita”?

Mas e Jean Wyllys? Ao anunciar que vai deixar o mandato e o país em razão de ameaças que supostamente está recebendo, estamos diante de cobertura nunca antes vista, tanto em veículos tradicionais quanto nas redes sociais. O fato ganhou notoriedade nacional e internacional, reforçando a narrativa de que o Brasil se tornou um ambiente inóspito para os homossexuais, onde eles são implacavelmente perseguidos.

Mas quem ameaçou Jean Wyllys? O que diz a investigação (se é que existe uma)? As afirmações dele fazem sentido? São perguntas que ainda precisam ser respondidas. No entanto, o enfoque de muita gente já é definitivo.

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