Antonio Palocci delatou o conhecido jornalista Roberto D’Ávila, apresentador de um programa de entrevistas na Globonews. Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, ele afirmou em um dos depoimentos de sua delação premiada que o profissional de imprensa serviu como intermediário e se ofereceu como “laranja” para arrecadar dinheiro para o filme “Lula, o filho do Brasil”, biografia do ex-presidente que está preso pela Lava Jato. As informações são do sites O Antagonista e Crusoé.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em abril do ano passado, Palocci contou que a empreiteira Schahin, que mantinha contratos com a Petrobras, se ofereceu para remunerá-lo em troca de ajuda na renovação de um contrato com a estatal. Renovado o contrato, Palocci sugeriu que a Schahin contribuísse também com o PT. Foi quando surgiu a ideia de propor à empresa que patrocinasse o filme. O ex-ministro conta que naquele momento havia sido procurado por Roberto D´Ávila, por indicação do próprio Lula ou de alguém ligado ao ex-presidente, pedindo ajuda para arrecadar os R$ 5 milhões necessários para a produção do filme.

Ainda conforme a reportagem, como Milton Schahin, dono da empreiteira, estava satisfeito com a renovação de seu contrato com a Petrobras e se mostrava disposto a atender pedidos da cúpula do PT, Palocci sugeriu que ele ajudasse com recursos para o filme sobre Lula. Foi quando o ex-ministro passou ao empreiteiro o contato de Roberto D’Ávila. O jornalista, que também já foi vice-prefeito do Rio e deputado federal Constituinte, era o produtor do filme.

Palocci contou ainda que o Palácio do Planalto atuou diretamente para beneficiar Schahin na Petrobras. Ele cita nominalmente a ex-presidente Dilma Rousseff, que naquele momento era ministra da Casa Civil. Afirma que depois de ter sido procurado por Milton Schahin, que buscava ajuda para a renovação do contrato, procurou Dilma. Ela teria se comprometido a receber o empresário para resolver as pendências da empreiteira.

O jornalista Roberto D’Ávila contesta a delação. “Eu não fui laranja nenhum, eu fui produtor do filme. Não tem nada disso. Fizemos a produção do filme e várias empresas contribuíram. Era 2008 e o Lula tinha 90% de aprovação. Aquilo era um negócio para nós. Então nossas empresas pegaram dinheiro de várias empresas. Eu não tinha ideia daquilo, daquele conluio todo das empresas com a Petrobras. Eu nem sabia que a Schahin trabalhava para a Petrobras. Não existe ‘laranja’, afirmou ele.

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