Entre os dias 20 e 22 de março estive com o Ministro Onyx Lorenzoni, na Casa Civil, em Brasília. Confesso que imaginava que a rotina era muito pesada, mas não imaginei que fosse tão pesada. Somente nesses primeiros 80 dias de governo, foram 270 parlamentares atendidos pela Casa Civil e 160 despacharam diretamente com o Ministro Onyx, alguns mais de uma vez.

Além da pesada rotina, minha estadia no Planalto teve direito a ver in loco o presidente da Câmara Rodrigo Maia ofender o Ministro Sérgio Moro na quarta-feira e na quinta assistir pela TV seu sogro, juntamente com o ex-presidente Temer, serem encarcerados por corrupção.

A falsa falta de articulação do governo, propagada por Rodrigo Maia e amplificada pela extrema-imprensa, tem muito haver com o relato acima, pois reside essencialmente em dois fatores: no apego da velha guarda da Câmara em manter o sistema rodando e na vontade da mídia engajada em difamar o governo Bolsonaro.

Mas afinal, quando Rodrigo Maia fala em “articulação”, o que ele quer dizer?

Segundo o Dicionário Aurélio, articulação pode ser descrita como um dispositivo orgânico, pelo qual as pessoas ficam em contato e se exprimem com clareza. Partindo desta premissa, recordaremos alguns fatos:

  • Presidente Bolsonaro levou a Nova Previdência pessoalmente ao Congresso;
  • O Ministro Paulo Guedes ficou horas no Congresso explicando a Previdência;
  • O presidente Bolsonaro fez um pronunciamento oficial sobre o tema;
  • O Ministro Onyx recebeu dezenas de parlamentares na Casa Civil;
  • O presidente e sua equipe participaram de um jantar com os 3 poderes na casa de Maia;
  • Equipes do Ministério da Economia ficaram à disposição da imprensa e deram diversas entrevistas explicando a previdência;
  • Há campanhas patrocinadas nas redes sociais sobre a nova previdência e o engajamento direto do presidente, ministros e secretários.
  • O projeto da Previdência dos Militares também foi entregue pessoalmente ao presidente da Câmara.

Portanto, segundo a descrição oficial para “articulação”, acredito que o governo Bolsonaro vem cumprindo com maestria sua tarefa. Agora, se o significado de articulação para Rodrigo Maia e parte do Congresso é diferente, eles que venham a público e expliquem o que esperam da “articulação do governo”.

Outra questão importante a ressaltar é o fato de Maia afirmar que a Câmara não vai arcar com o “desgaste” da reforma.

O que ele pretende com essa frase?

Ele quer dizer que não fará o trabalho para qual foi eleito? Ele quer dizer que a Câmara só vota e aprova pautas populistas?

Maia precisa compreender que a nova previdência não é do Bolsonaro, é do Brasil. E mais, se o presidente, que sempre foi contra as mudanças na previdência, topou assumir o enorme desgaste que é pautar esse tema, não será o Congresso que ficará omisso.

Ao que tudo indica, Maia quer mamadeira, quer ser embalado em berço esplêndido, para então pautar a previdência.

Acontece que a teta do Planalto secou.

Quem quiser mamar, que ordenhe o próprio leite.

(José Henrique Westphalen é cientista político e mestre em comunicação)

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