A sociedade brasileira se encontra enferma e na UTI. Doença psicossocial grave! Uma sociedade que vive vidrada, olhando pelo espelho retrovisor e esquecendo-se de atentar e mirar para frente e para o futuro. E construí-lo civilizada e progressisticamente.

Parece-me que a civilização humana somente conseguiu avançar por sua resiliência e esforço para superar os grandes traumas do passado. Nenhum de nós é um ser estático. Temos uma história influenciada por épocas, relações familiares e sociais, formações, etc… Somos sugestionados pela soma das coisas que nos aconteceram ao longo de nossa trajetória, seguramente. Mas de maneira saudável, nascemos com capacidade e arbítrio de nos transformarmos cotidianamente.

Atualmente, parte dos brasileiros permanece no atoleiro do culto ao passado hostil, sentimentalista e enraizado na culpa ao decurso histórico. Eternizam mazelas – reais – do passado e auto-condenam a construção de um futuro mais promissor para todos.

Cito dois exemplos singelos.

Primeiro, a morte da vereadora Marielle Franco. Assassinato terrível! (o motorista também foi morto!). Evidente que os culpados devem ser punidos exemplarmente. Sim, é preciso identificar e punir os mandantes! Contudo, faz um ano que só se fala naquilo! O copo transbordou; enorme ibope. E afinal de contas, quantas outras mulheres negras, brancas, mulatas, de todas as profissões, similarmente, morreram por uma determinada causa nobre e relevante?

Outro tema que me “comove” é o corporativismo atávico do Judiciário. Exigem a manutenção do status quo. Não arredam o pé dos tais direitos adquiridos! A reforma da previdência vai amplificar essa triste situação. Veremos…

Desejo enfatizar que essa espécie de comportamento está nos causando um dano social e ético inimaginável! Enquanto coexistir a paralisia do centro nas grandes controvérsias (muitas empoeiradas) do passado e deixar-se de discutir temas fundamentais para o verdadeiro desenvolvimento econômico e social do conjunto de cidadãos brasileiros, permaneceremos na UTI. Ah, inclusive no que diz respeito à saúde mental individual.

Creio que este tipo de atitude é notória nas pessoas e indivíduos que se autointitulam como esquerdistas “Lula Livre” (Eu os denomino “ovomaltines”). Esses possuem uma natural predisposição para rotular pessoas e eventos passados – e presentes – embasados em seus dogmas e situações de vida, especialmente econômicas (a eterna e enfadonha luta de classes!). Colocam, individual e tribalmente, uma venda nos olhos para não vislumbrarem possibilidades futuras e, sistematicamente, amarguraram querelas do passado.

Acho que seria muito mais prudente e benéfico, um esforço de todos para compor e propor soluções que gerem emprego, renda e desenvolvimento pessoal (oposto de assistencialismo eterno e acomodador), do que ficar insistentemente remoendo um passado interesseiro (por direitos), e se recusar a enxergar e diligenciar para construção de novas soluções futuras factíveis.

Neste momento de transformação, penso que deveríamos abrandar o desejo de retorno ao passado, do culto ao passado sentimentalista e recriminador, e focar nas soluções “razoáveis” que por certo hão de existir na composição sadia pelo diálogo real, oportuno e das coisas presentes.

A recusa em agir pensando no futuro de todos, com a manutenção dos padrões atuais, inaceitáveis e desmoralizantes, só nos conduzirá a imobilidade e mais retrocesso.

(Alex Pipkin é doutor em administração)

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  1. Datado de agosto/2018, portanto antes da eleição presidencial, Bernardo Kuster expõe com clareza os motivos pelos quais, conforme o título desta brilhante matéria, “os brasileiros estão doentes”. Procurem no YouTube o título exato: GRANDE MÍDIA É UM LIXO VENENOSO.

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