Na sexta-feira recebi um chamado no 99Pop lá na UniRitter. Era uma moça que entrou no carro parecendo me conhecer.

Daí lembrei: entrevistei ela na Band pra uma vaga de estágio na minha equipe.

A futura jornalista se espantou. “Mas pq tu tá fazendo Uber?”, perguntou.

Então, fiquei pensando… Quando eu digo p’ros meus amigos que eu tenho trabalhado também como motorista de aplicativo eles se espantam.

É como se algo tivesse dado errado na carreira profissional.

É como se fosse um trabalho ruim, lavado em desgraça.

Não deixa de ser.

Graças ao Papai do Céu, tive essa opção na manga.

Penso em tantos amigos que não têm o carro… ou carteira de motorista e estão desempregados.

Estar “fora do mercado jornalístico” é quase uma batalha contra o ego.

Não é considerado “nobre” dirigir (o que seria nobre?).

Já trabalhar no mercado da comunicação, sim.

Mas pensa comigo, colega. Em média, são umas 20 pessoas diferentes passando pelo teu carro, por dia. Ricos, pobres, mendigos, políticos, jovens, idosos, intelectuais, petistas, bolsonaristas.

É muita história diferente compartilhada.

Sem contar a situação do trânsito, a previsão do tempo, a segurança pública, que a gente acompanha em tempo real. Coisa que o jornalismo, que só reverbera e relata, não consegue vivenciar, assim, na carne.

Poderia ficar horas digitando as coisas boas do meu trabalho. Assim como a parte afudê da minha formação. Mas tudo é momento. E não julgamento.

Respeitem os motoras. Por trás de um rostinho bonito (às vezes) que te oferece bala, pode ter uma pessoa do bem.

(Igor de Almeida foi produtor executivo na BAND)

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